Óleos Essenciais - o "ouro vegetal" terapêutico. Como utilizar?

Atualizado: Abr 10


Foi através da minha sábia e inspiradora professora de fitoterapia - Palmira Pozuelo - que tive o meu primeiro contacto com os óleos essenciais. Além de os mencionar nas suas aulas, Palmira dava na altura cursos de cosmética natural e foi aí que tive o privilégio de assistir e fazer a destilação do óleo essencial de Alecrim, num grande e belo alambique de cobre. Sem ainda ser bem consciente do poder dos óleos essenciais, apaixonei-me: pelos os cheiros, pelo poder presenciar e ver todo o processo, por cada gota de óleo que caía lentamente pelo tubo do alambique - cor de ouro esverdeado - flutuando na superfície de uma água de alecrim (hidrolato). A partir desse dia decidi saber mais sobre este tema, comprei livros, experimentei misturas e apercebi-me do que tinha em mãos: uma das ferramentas terapêuticas mais eficazes que a Natureza colocou à nossa disposição, um verdadeiro "ouro vegetal".


O que são os óleos essenciais?


Os óleos essenciais são compostos aromáticos naturais que se encontram nas sementes, na casca, nos caules, nas raízes, nas flores e noutras partas das plantas. A sua fragrância pode ser delicada e poderosa ao mesmo tempo. Porém, o uso de óleos essenciais vai muito além do seu apelo aromático.

Os óleos essenciais podem melhorar o humor, acalmar a ansiedade, reduzir ou estimular o apetite, activar a circulação, ajudar na cicatrização… são inúmeros os seus efeitos, uma vez que se encontram nas diversas partes de inúmeras plantas.

Apesar do nome “óleo” não são substâncias gordurosas como os óleos vegetais, chamam-se “óleos” porque são insolúveis em água mas solúveis em óleo vegetal ou em álcool.

Foram considerados os primeiros medicamentos e tiveram a sua “época de ouro” nos séculos XVII e XVIII, em que as pestes que assolaram este período da História foram em parte combatidas com os óleos essenciais, como o de Alecrim, Cânfora ou Neroli.


Como utilizar?


Os óleos essenciais são usados para uma vasta gama de aplicações relacionadas com o bem-estar físico e emocional. Podem ser usados individualmente ou em misturas complexas, consoante o benefício pretendido. Normalmente, os óleos essenciais são administrados segundo três métodos: difusão, aplicação tópica (diluídos num óleo vegetal base (1) ) ou ingestão (nem todos podem ser ingeridos e faça-o sempre com supervisão de um profissional de saúde).

Os óleos essenciais são naturalmente seguros e têm poucos efeitos secundários indesejáveis quando são usados de acordo com as instruções. Porém, são extremamente concentrados e deverão ser usados com cuidado. Certifique-se de que usa apenas óleos essenciais puros e de grau terapêutico, e respeite todos os avisos e todas as instruções existentes no rótulo (ver no final deste artigo - precauções a ter).


Por onde começar?


O uso de óleos essenciais é intuitivamente simples, contudo, o grande número de óleos disponíveis com as suas infindáveis combinações e aplicações poderá ser algo assustador para principiantes. Como sugestão de um primeiro passo pelos óleos essenciais, recomendo: Lavanda, Hortelã-pimenta e Orégão. (É-me extremamente difícil escolher tão poucos, são todos excelentes nas suas diversas aplicações!)

Lavanda (Lavandula angustifolia)

- eficaz contra ansiedade, agitação e insónia.

- útil para crianças, no caso de irritabilidade, excitação nervosa e cólicas.

- muito indicado para a pele (em dermatites, queimaduras, cortes e picadas de insectos).

Hortelã-pimenta (Mentha piperita)

- indicado para aumentar a concentração (estudo).

- muito útil em dores pela a sua acção anestésica.

- actua no aparelho digestivo, ajuda nas indisposições, enfartamento e na flatulência.

Nota: Não utilizar em crianças menores de 3 anos.

Orégão (Origanum vulgare)

- actua nas vias respiratórias, sendo útil para a tosse pelo efeito anti-espasmódico.

- é um excelente antibiótico natural, também com acção anti-parasitária e fungicida.

- útil em infecções digestivas (diarreia infecciosa - massajar a barriga no sentido dos ponteiros dos relógios)


A importância da escolha certa

Em primeiro lugar gostaria de referir que o mercado pode ser ser por vezes fraudulento, pois existem muitas essências sintéticas à venda com a denominação de óleos essenciais e com um preço baixíssimo. Mas um óleo essencial de qualidade não pode ser barato. Jamais. Porquê?

Vejamos: são necessários cerca de 1,5kg - 2kg de flores de lavanda para obter 10 ml de óleo essencial de Lavanda (que corresponde a menos de 1 colher sopa) e cerca de 242.000 pétalas de rosa para obter apenas 5 ml óleo essencial de Rosa.

Com apenas 2 exemplos começamos a perceber que os óleos essenciais puros e de qualidade são caros. Sobretudo por estes dois motivos:

- o processo de destilação é lento

- é necessária muita matéria-prima para obter apenas umas gotas de óleo essencial.

Daí a importância de optarmos por marcas que tenham um certificado de qualidade e que garantam que os seus cultivos estão isentos de pesticidas.


Como diluir correctamente os óleos essenciais?


Esta é a questão que levanta mais dúvidas na hora de utilizar os óleos essenciais. E é uma questão que deve ser bem orientada, pois ao tratarem-se de substâncias muito concentradas, temos que ter noção das diluições correctas e apropriadas para cada situação.

Para facilitar a consulta, criei uma tabela que podem imprimir e consultar facilmente cada vez que necessitarem de aplicar externamente um óleo essencial. Lembrem-se de imprimir também as indicações de diluição, pois sem estas indicações a informação ficará incompleta. (Para os que já utilizam óleos essenciais, verão que as minhas diluições são um pouco mais fracas do que as que encontramos em tabelas na internet ou em certos livros, mas eu acredito que nos caso dos O.E. é melhor optarmos por diluições menos concentradas e caso vejamos que o nosso corpo reage bem, ir aumentado progressivamente a concentração, caso haja necessidade).

Diluições para uso externo:

  • A) Crianças dos 6 meses aos 2 anos - quanto menor a idade mais diluído deverá estar o óleo essencial.

  • B) Crianças dos 2 aos 6 anos

  • C) Crianças maiores de 6 anos; pessoas com pele sensível ou num estado de saúde debilitado. Sendo a diluição indicada para massajar uma área muito extensa do corpo e para óleos faciais (no caso de pele muito sensível, utilizar a diluição indicada em B)

  • D) ideal para a maioria dos adultos e na maioria das situações.

  • E) ou F) para uma utilização pontual, em casos agudos como um entorse ou uma contratura, dores musculares ou menstruais. A diluição F) é indicada para elaborar os roll-on (15ml), perfeitos para levar na mala no dia-a-dia e nas viagens.



Precauções a ter:


  • Não deverá exceder as doses recomendadas, por serem substâncias muito concentradas e fortes.

  • Grávidas, doentes epiléticos e crianças menores de 6 anos, devem utilizar O.E. com cuidado e sempre em concentrações baixas. As grávidas jamais devem ingerir O.E.

  • Evite o contacto com os olhos e as mucosas.

  • Se tiver alguma vermelhidão ou irritação após o uso tópico de óleos essenciais, aplique um óleo vegetal (por exemplo azeite, óleo amêndoas ou de coco) na zona afetada, uma vez que a água não dilui os óleos essenciais.

  • Caso aplique na pele um preparado com O.E de cítricos (limão, laranja, toranja, tangerina, bergamota) não se exponha ao sol nas 6 horas seguintes, pois estes O.E. são fotossensibilizantes.

1) Os óleos vegetais têm como função servir de veículo aos óleos essenciais, uma vez que é neles que estes últimos se dissolvem. Os óleos vegetais não causam irritação quando aplicados na pele e alguns são utilizados na alimentação (azeite, óleo de grainha de uva, óleo de sésamo, óleo e côco, etc.)

Uma maneira fácil de sabermos se o que temos em mãos é um óleo vegetal ou um óleo essencial é o seu aroma. O aroma dos óleos essenciais é sempre muito intenso e penetrante, enquanto o dos óleos vegetais é bastante discreto - algo semelhante a frutos secos torrados, na maioria dos casos.

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